Seis epígrafes, seis tempos, um só problema

O negro ainda conserva a dança característica de rythmos grotescos e bárbaros, que nos foram transmitidos pelos africanos ao som dos batuques, quigengues e pandeiros, instrumentos de sonoridades insípidas, mas rythmadas, que os fazem pular, voltear, numa sensualidade selvagem, verdadeiramente africana. E assim atravessam uma noite toda ao clarão de uma fogueira, que ao amanhecer só resta braseiro e cinza. Entretanto, Cruz e Souza, Frederico Alvarenga, Gonçalves Dias, Luiz Gama, José do Patrocínio, Manoel dos Passos e outros mais, respectivamente na poesia, na literatura e na música, provaram sufficientemente que o negro é susceptível de illustração, tanto ou mais ainda que os seus irmãos de diferentes raças.

Benedito Conceição, O Patrocínio, 19 de outubro de 1930.

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The Spirit: Flor de Laranja. Arte e roteiro de Will Eisner. HQ originalmente publicada em 1946.

O 13 de Maio para ele não teve importância. Passara pela escravidão sem sentir-lhe os ferros. Por isso, entrando em anos continuou a acompanhar o Conselheiro a todas as festas acadêmicas, venerando a sua figura de professor, recolhendo as cisalhar de ouro de seus discursos.

– Como é nobre e generosa a classe acadêmica!…

Essa frase ficara-lhe na memória, resumindo toda a sua vida. Repetia-a todas as horas, pelas esquinas, como um refrão. Foi cozinheiro de “república” de estudantes, na Ladeira de São Francisco ou na Ladeira do Porto Geral. Na véspera dos exames, procurava o professor Leôncio de Carvalho e – angélica sinceridade – empenhava-se pelos amigos. Era um valioso “pistolão”. Mas os estudantes se formavam, ficavam graúdos e ele continuava a tratá-los como nos dias agitados da “república”.

Afonso Schmidt. “O Preto que não era Leôncio”. In: No Tempo do Protocolo, São Paulo, 1954.

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Norman Rockwell. The Problem We All Live With, 1964.

Acreditarei na supremacia branca enquanto os negros não forem educados a agir com responsabilidade. Não sou a favor de entregar posições de liderança a pessoas inconsequentes. (…) Eu não sei por que as pessoas insistem em dizer que os negros foram impedidos de estudar. Eles eram admitidos em todos os colégios onde estudei. Mas se eles não estão suficientemente preparados, não acho que eles deveriam conquistar uma vaga, pois deste modo a comunidade acadêmica se nivelaria ao menor denominador comum. Qual seria a vantagem de se matricular alguém numa aula de álgebra se a pessoa não sabe sequer contar? Ademais, não me sinto culpado pelo fato de que há dez gerações atrás essas pessoas eram escravas. É apenas um fato da vida, mais ou menos como aquele garoto que não pode jogar futebol com a gente por ter pegado poliomielite e andar de muletas.

John Wayne, em entrevista à revista Playboy. Maio de 1971.

Não existe lei Maria da Penha que nos proteja da violência de nos submeter aos cargos de limpeza. De ler nos banheiros das faculdades hitleristas: ‘fora macacos cotistas’!

Carlos Eduardo Taddeo. Mulheres Negras, 2012.

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